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Dor na virilha durante o esporte: quando pode ser impacto femoroacetabular?

  • 13 de jul.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 23 de jul.

Sentir dor na virilha depois de uma corrida, de uma partida de futebol ou durante um treino de academia costuma levar muita gente à mesma conclusão: "deve ser uma distensão muscular".

Em alguns casos, essa hipótese está correta. Em outros, porém, a origem da dor está dentro da articulação do quadril.

Uma das causas mais frequentes em pessoas fisicamente ativas é o impacto femoroacetabular (IFA), uma alteração que pode passar despercebida durante meses ou até anos. Quando não é identificada, continua provocando atrito dentro da articulação e aumenta o risco de lesões progressivas.

Por isso, entender a diferença entre uma lesão muscular e um problema articular faz toda a diferença para quem deseja voltar ao esporte com segurança.


Mulher praticando atividade física segurando a região da virilha devido à dor durante o treino, ilustrando um possível impacto femoroacetabular no quadril.

O que é impacto femoroacetabular (IFA)?


O impacto femoroacetabular é uma alteração na anatomia do quadril que provoca um contato anormal entre a cabeça do fêmur e o acetábulo durante determinados movimentos.

Esse atrito acontece principalmente em atividades que exigem flexão profunda do quadril, rotação ou mudanças rápidas de direção.

Com o passar do tempo, esse contato repetitivo pode lesionar estruturas importantes da articulação, como o labrum acetabular e a cartilagem, favorecendo dor persistente e desgaste precoce do quadril.


Por que o IFA é comum em quem pratica esportes?


É comum observar sintomas em praticantes de:

  • futebol;

  • corrida;

  • tênis;

  • beach tennis;

  • crossfit;

  • musculação;

  • artes marciais.

Isso não significa que o esporte cause o impacto femoroacetabular. Em muitos casos, a alteração anatômica já existe e os movimentos apenas tornam os sintomas mais evidentes.


Quais são os sintomas mais comuns?


A dor costuma aparecer de forma gradual e, inicialmente, apenas durante a prática esportiva.

Os sintomas mais frequentes incluem:

  • dor na virilha durante ou após a atividade física;

  • desconforto ao agachar;

  • dor ao permanecer sentado por longos períodos;

  • redução da mobilidade do quadril;

  • sensação de travamento;

  • estalos durante alguns movimentos.

Muitas pessoas continuam treinando acreditando tratar-se de uma simples distensão muscular. Enquanto isso, a articulação permanece sofrendo sobrecarga.


Nem toda dor na virilha vem do músculo


A região da virilha recebe estruturas musculares, tendíneas e articulares.

Por isso, diferentes doenças podem produzir sintomas muito semelhantes.

Uma distensão muscular costuma apresentar características diferentes das dores provocadas pelo impacto femoroacetabular. O exame físico, associado aos exames de imagem quando indicados, permite identificar a origem do problema e direcionar o tratamento mais adequado.

Essa avaliação evita que o paciente passe meses tratando uma lesão muscular que, na realidade, nunca existiu.


O diagnóstico precoce faz diferença


Quanto mais cedo o impacto femoroacetabular é identificado, maiores são as possibilidades de preservar as estruturas da articulação.

Quando o atrito permanece por muitos anos, aumentam as chances de lesão do labrum, desgaste da cartilagem e desenvolvimento de artrose precoce em pacientes suscetíveis.

Por esse motivo, dor persistente durante o esporte nunca deve ser encarada como algo "normal".


O que dizem os estudos?


A literatura científica reforça a importância do diagnóstico e do tratamento individualizado.

Um estudo publicado em 2025, que acompanhou pacientes por até 10 anos após o tratamento cirúrgico do impacto femoroacetabular, mostrou que fatores como o grau da lesão existente antes da cirurgia, a anatomia do quadril e condições clínicas, como obesidade, influenciam os resultados em longo prazo.

Esses dados reforçam um conceito importante: o tratamento tende a ser mais favorável quando a doença é reconhecida antes que ocorram danos mais avançados à articulação.


Como é o tratamento?


Não existe uma única abordagem para todos os pacientes.

A escolha depende da intensidade dos sintomas, do grau da lesão, da limitação funcional e dos objetivos de cada pessoa.

O tratamento pode incluir:

  • modificação temporária das atividades;

  • fisioterapia direcionada;

  • fortalecimento muscular;

  • controle da sobrecarga esportiva;

  • medicamentos em situações específicas;

  • procedimentos intervencionistas quando indicados;

  • cirurgia por artroscopia do quadril em casos selecionados.

O objetivo não é apenas aliviar a dor, mas preservar a função da articulação e permitir um retorno seguro às atividades.


Quando procurar um ortopedista?


Se a dor na virilha aparece repetidamente durante o esporte, limita seus movimentos ou persiste mesmo após um período de descanso, vale a pena realizar uma avaliação especializada.

Nem toda dor na virilha é consequência de uma lesão muscular.

E nem toda dor no quadril significa artrose.

Identificar corretamente a origem do problema é o primeiro passo para preservar a articulação e evitar que pequenas lesões evoluam para um desgaste maior.


Movimento é vida. E preservar o quadril é preservar sua liberdade de se movimentar.




 
 
 

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