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PRP na ortopedia: o que é, como funciona e quando pode ser indicado

  • 17 de ago.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 19 de ago.

O PRP vem do próprio sangue do paciente. Essa característica costuma despertar uma pergunta no consultório: se é apenas uma parte do sangue, o que torna esse tratamento diferente?


PRP é a sigla para Plasma Rico em Plaquetas. Por meio de um processo de preparação do sangue, obtém-se um produto com maior concentração de plaquetas, células que conhecemos principalmente por sua participação na coagulação, mas que também armazenam e liberam diferentes moléculas bioativas.


Entre elas estão fatores de crescimento envolvidos em processos naturais de sinalização, reparo e resposta dos tecidos.


É justamente essa característica biológica que levou o PRP a ser estudado em diferentes áreas da ortopedia.


Mas existe uma diferença importante entre compreender seu potencial biológico e afirmar que ele regenera qualquer tecido lesionado.


O PRP não é uma solução universal. Sua indicação depende do diagnóstico, da condição tratada e das evidências disponíveis para cada situação.


Amostra de Plasma Rico em Plaquetas (PRP) preparada a partir do sangue do paciente para uso em tratamento ortopédico.

O que é PRP?

PRP significa Plasma Rico em Plaquetas.

Ele é um produto autólogo, ou seja, preparado a partir do sangue do próprio paciente.

O sangue possui diferentes componentes, entre eles:

  • plasma;

  • glóbulos vermelhos;

  • glóbulos brancos;

  • plaquetas.

Para produzir o PRP, uma amostra de sangue é coletada e processada com o objetivo de obter uma fração com maior concentração de plaquetas.

O produto final não é necessariamente igual em todos os procedimentos. Existem diferentes formas de preparar PRP, e características como concentração de plaquetas e presença de leucócitos podem variar entre protocolos.

Essa diferença é relevante porque pode influenciar sua atividade biológica e, possivelmente, a resposta clínica.


Como o PRP é preparado?

O processo começa com uma coleta de sangue semelhante à realizada em exames laboratoriais.

Depois, esse material é colocado em uma centrífuga.

A centrifugação utiliza diferentes velocidades e densidades para separar os componentes do sangue. A partir desse processo, é possível selecionar uma fração do plasma com concentração aumentada de plaquetas.

Essa preparação dá origem ao Plasma Rico em Plaquetas.

Dependendo do protocolo e da condição que será tratada, existem diferenças na forma de preparação e aplicação.

Por isso, falar simplesmente em “PRP” não significa necessariamente falar de produtos biologicamente idênticos.


O que acontece quando as plaquetas são ativadas?

As plaquetas possuem estruturas chamadas grânulos, que armazenam diferentes proteínas e moléculas bioativas.

Quando ativadas, elas liberam fatores de crescimento e outros mediadores envolvidos na comunicação entre células e em processos relacionados ao reparo tecidual.

Entre os fatores presentes no PRP estudados pela literatura estão PDGF, TGF-β, VEGF e IGF-1.

Essas moléculas participam de processos biológicos como sinalização celular, formação de novos vasos, síntese de matriz extracelular e resposta dos tecidos a uma lesão.

É daí que surge a lógica biológica do PRP.

Em vez de introduzir um medicamento convencional, utiliza-se um produto derivado do próprio sangue para concentrar componentes que já participam dos mecanismos naturais de reparação do organismo.


Então o PRP faz o tecido se regenerar?

Essa pergunta exige cuidado.

O fato de o PRP conter fatores de crescimento não significa que ele seja capaz de reconstruir qualquer tecido lesionado ou devolver uma articulação desgastada ao seu estado original.

Esse é um dos principais pontos em que a comunicação sobre medicina regenerativa pode criar expectativas que a ciência ainda não sustenta.

Dependendo da doença, os estudos avaliam resultados como redução da dor, melhora funcional, influência sobre a resposta inflamatória e efeitos sobre processos de reparo.

Os resultados não são iguais para todas as condições musculoesqueléticas.

Por isso, o termo “regenerativo” não deve ser interpretado como uma promessa de regeneração completa.


Para que o PRP é utilizado na ortopedia?

O PRP vem sendo estudado em diferentes condições musculoesqueléticas, incluindo algumas tendinopatias e doenças articulares.

Uma das áreas com maior volume de pesquisas é a osteoartrose do joelho, especialmente em estágios leves a moderados. Também existem estudos envolvendo tendões e outras estruturas musculoesqueléticas.

Isso não significa que qualquer paciente com dor articular, lesão muscular ou tendinopatia tenha indicação para o procedimento.

A evidência varia de acordo com a doença.

Em algumas situações, existem resultados clínicos mais consistentes. Em outras, os estudos ainda apresentam resultados conflitantes ou insuficientes para conclusões definitivas.


Por que existem resultados diferentes nos estudos sobre PRP?

Esse é um ponto importante para compreender o tratamento.

Não existe um único PRP padronizado mundialmente.

Um consenso internacional envolvendo especialistas em ortopedia e medicina esportiva destacou que o PRP deve ser caracterizado considerando aspectos como concentração de plaquetas, leucócitos e hemácias, método de ativação e forma de preparação.

O mesmo consenso reconheceu que questões como a dose ideal ainda não estão completamente definidas.

Além disso, os resultados podem ser influenciados por fatores do próprio paciente e da doença, como:

  • idade;

  • índice de massa corporal;

  • gravidade da lesão;

  • tempo de evolução;

  • diagnóstico;

  • doenças associadas;

  • tratamentos anteriores.

Isso ajuda a explicar por que dois pacientes submetidos ao que aparentemente é “o mesmo tratamento” podem apresentar respostas diferentes.


PRP não é tratamento para qualquer dor

Antes de discutir PRP, é preciso saber o que está sendo tratado.

Uma dor no quadril, por exemplo, pode ter origem articular, muscular, tendínea ou até estar relacionada a estruturas fora do próprio quadril.

Aplicar um ortobiológico sem um diagnóstico preciso não corrige esse problema.

Por isso, a indicação começa antes do procedimento.

Começa pela história clínica, exame físico e, quando necessário, exames complementares.

Só depois de identificar a origem da dor é possível discutir se o PRP faz sentido dentro das opções disponíveis.


PRP pode substituir uma cirurgia?

Não existe uma resposta única.

Há situações em que tratamentos conservadores podem controlar sintomas e melhorar a função. Em outras, existe uma alteração estrutural ou um estágio avançado da doença em que um procedimento biológico não substitui o tratamento cirúrgico indicado.

O PRP também não corrige alterações anatômicas.

Por isso, utilizá-lo apenas com o objetivo de “evitar cirurgia a qualquer custo” pode levar a uma expectativa inadequada.

O tratamento precisa ser escolhido pelo que oferece maior benefício para aquele paciente naquele momento.


O PRP é seguro?

Por ser obtido do próprio sangue, o PRP é um produto autólogo. Ainda assim, isso não significa que o procedimento esteja livre de riscos ou que possa ser realizado sem avaliação.

Condições clínicas específicas podem interferir na indicação.

Um consenso internacional publicado em 2025, por exemplo, estabeleceu recomendações específicas para o uso de PRP em pacientes com determinadas condições infecciosas, oncológicas e hematológicas.

Esse é mais um motivo para que a decisão seja médica e individualizada.


Medicina regenerativa também é saber quando não indicar

Talvez essa seja uma das partes mais importantes da discussão sobre PRP.

Ter uma tecnologia disponível não significa que ela deva ser utilizada em todos os pacientes.

Uma indicação responsável precisa responder a algumas perguntas:

Qual é o diagnóstico?

Qual é o objetivo do tratamento?

Existe evidência para PRP nessa condição?

O que podemos realisticamente esperar?

Existem alternativas mais adequadas?

Esse alinhamento evita que um tratamento biologicamente interessante seja transformado em promessa.

Na medicina regenerativa, tão importante quanto conhecer novas possibilidades é reconhecer seus limites.


PRP: ciência, indicação e expectativa

O PRP é uma das terapias ortobiológicas mais estudadas atualmente e seu potencial continua sendo investigado.

A ciência já permite compreender melhor seus mecanismos e identificar condições em que seu uso pode ser considerado. Ao mesmo tempo, permanecem questões sobre padronização, preparação, dose e resposta individual.

Por isso, a pergunta mais importante não é simplesmente:

“PRP funciona?”

A pergunta correta é:

“Existe evidência e indicação de PRP para o meu diagnóstico?”

Essa resposta só pode surgir depois de uma avaliação adequada.


O objetivo da medicina regenerativa não deve ser oferecer o procedimento mais novo, mas escolher, entre as possibilidades disponíveis, aquela que realmente faz sentido para cada paciente.


Se você tem uma lesão musculoesquelética ou dor articular e quer entender se o PRP pode fazer parte do seu tratamento, procure uma avaliação especializada. A indicação começa pelo diagnóstico e pela compreensão do que esse tratamento pode — e do que não pode — oferecer para o seu caso.




 
 
 

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