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Radiofrequência pulsada na ortopedia: como funciona e quando pode ser indicada

  • 13 de ago.
  • 5 min de leitura

Nem toda dor crônica precisa de cirurgia. Ao mesmo tempo, medicamentos, fisioterapia e fortalecimento nem sempre são suficientes para controlar os sintomas.


Entre essas duas situações existe um campo importante da medicina intervencionista da dor, com procedimentos que podem ser utilizados em pacientes selecionados.


Um deles é a radiofrequência pulsada.


Trata-se de uma técnica minimamente invasiva que utiliza pulsos de energia elétrica aplicados próximos a estruturas nervosas envolvidas na transmissão da dor.


Diferentemente da radiofrequência térmica convencional, o objetivo da modalidade pulsada não é produzir uma lesão térmica intencional no nervo. Sua proposta é modular a atividade relacionada à transmissão dolorosa.


Essa diferença ajuda a entender por que a técnica vem sendo estudada em diferentes condições de dor crônica.


Médico realizando procedimento de radiofrequência guiado por imagem para tratamento da dor crônica no quadril.

O que é radiofrequência pulsada?

A radiofrequência pulsada, também chamada de PRF — do inglês pulsed radiofrequency — é uma técnica de neuromodulação utilizada no tratamento intervencionista da dor.

Durante o procedimento, uma agulha específica é posicionada próxima ao alvo terapêutico. Através dela, são aplicados pulsos de radiofrequência intercalados com períodos sem emissão de energia.

Esse funcionamento permite limitar o aumento da temperatura dos tecidos.

É uma característica importante porque diferencia a técnica da radiofrequência convencional utilizada para ablação.


Qual é a diferença entre radiofrequência pulsada e convencional?

Embora os nomes sejam semelhantes, as duas técnicas não têm exatamente o mesmo objetivo.

Na radiofrequência convencional ou térmica, utiliza-se calor controlado para produzir uma lesão térmica no tecido nervoso selecionado, reduzindo a transmissão do sinal doloroso.

Na radiofrequência pulsada, a energia é administrada de maneira intermitente e com temperaturas mais baixas. O objetivo é produzir um efeito neuromodulador sem realizar intencionalmente a ablação térmica do nervo.

Por isso, dizer apenas que um paciente fará “radiofrequência” é insuficiente.

A técnica utilizada depende do diagnóstico e da estrutura que será tratada.


Como a radiofrequência pulsada age na dor?

O mecanismo exato ainda não é completamente compreendido.

Os estudos disponíveis indicam que os campos elétricos gerados pela radiofrequência pulsada podem produzir alterações em diferentes processos relacionados à transmissão e à modulação da dor.

Pesquisas experimentais descrevem efeitos sobre atividade neuronal, transmissão sináptica, canais iônicos e mediadores inflamatórios.

Na prática, o objetivo é modular a sinalização dolorosa, e não simplesmente “desligar” ou destruir um nervo.

Essa distinção é especialmente importante para que o paciente compreenda o que o procedimento pode oferecer.


Quando a radiofrequência pulsada pode ser indicada?

A indicação depende principalmente da origem da dor.

A técnica vem sendo estudada em diferentes condições, especialmente algumas formas de dor neuropática e radicular.

Entre as situações em que pode ser considerada, de acordo com avaliação individual, estão:

  • algumas dores radiculares;

  • determinados quadros de dor neuropática periférica;

  • situações específicas de dor articular;

  • alguns casos selecionados de dor crônica persistente.

Isso não significa que todo paciente com uma dessas condições tenha indicação para o procedimento.

O diagnóstico continua sendo o ponto de partida.


Radiofrequência pulsada pode ser utilizada na ciática?

Em alguns casos de dor radicular lombar, sim.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 analisou 10 estudos randomizados, envolvendo 613 pacientes, sobre a aplicação da radiofrequência pulsada no gânglio da raiz dorsal em pacientes com dor radicular lombar.

Os resultados mostraram melhora da dor em determinados períodos de acompanhamento, mas os pesquisadores classificaram a certeza das evidências entre muito baixa e moderada, dependendo do desfecho analisado.

Isso significa que existe uma aplicação clínica sendo estudada e utilizada, mas não que todo quadro popularmente chamado de “ciática” deva ser tratado com radiofrequência.

Primeiro é preciso descobrir a causa da dor radicular.


E para dor crônica no quadril?

A radiofrequência também vem sendo investigada no tratamento de alguns casos de dor crônica do quadril.

A articulação possui ramos nervosos sensitivos que podem ser utilizados como alvos em procedimentos intervencionistas.

Em determinados pacientes com dor persistente, especialmente quando outras estratégias conservadoras não proporcionaram controle adequado, procedimentos de radiofrequência podem entrar na discussão terapêutica.

Mas existe uma ressalva importante.

A literatura sobre radiofrequência no quadril ainda apresenta diferenças de técnicas, alvos e protocolos, e parte importante dos estudos disponíveis avalia modalidades ablativas de radiofrequência, e não especificamente a radiofrequência pulsada.

Por isso, não é adequado generalizar os resultados de uma técnica para outra.


O procedimento substitui uma cirurgia?

Não necessariamente.

Esse é um dos erros mais comuns ao falar sobre tratamentos minimamente invasivos.

Uma pessoa pode ter dor provocada por uma alteração estrutural importante que continua existindo mesmo depois da melhora dos sintomas.

A radiofrequência atua no manejo da dor. Ela não corrige deformidades ósseas, não reconstrói uma articulação e não substitui automaticamente uma cirurgia quando existe indicação cirúrgica bem estabelecida.

Em outros pacientes, entretanto, controlar a dor pode permitir melhor participação na reabilitação e melhora funcional.

É por isso que a indicação precisa partir do diagnóstico, e não do desejo de evitar uma cirurgia a qualquer custo.


Radiofrequência pulsada não deve ser um tratamento isolado

Controlar a dor é importante, mas esse raramente é o único objetivo de um tratamento ortopédico.

Dependendo do diagnóstico, a radiofrequência pulsada pode fazer parte de uma estratégia mais ampla que inclua:

  • fisioterapia;

  • fortalecimento muscular;

  • recuperação de mobilidade;

  • adaptação de carga;

  • medicamentos quando necessários;

  • infiltrações em situações específicas;

  • outras técnicas intervencionistas.

Em alguns casos, diminuir a intensidade da dor cria uma oportunidade para o paciente voltar a se movimentar e participar melhor do processo de reabilitação.

O procedimento, portanto, precisa estar inserido em um plano.


A radiofrequência pulsada é definitiva?

Não é correto prometer que o procedimento eliminará definitivamente uma dor crônica.

A duração da resposta varia conforme o diagnóstico, a estrutura tratada, a técnica utilizada e as características individuais.

Alguns pacientes apresentam melhora significativa. Outros podem ter uma resposta menor ou não responder como esperado.

Esse alinhamento precisa acontecer antes do procedimento.

Uma boa indicação não se baseia apenas na possibilidade de benefício, mas também na compreensão dos limites do tratamento.


Como saber se existe indicação?

Antes de considerar radiofrequência pulsada, precisamos responder a uma pergunta fundamental:

de onde vem a dor?

Dor no quadril, por exemplo, pode ter origem articular, muscular, tendínea, neurológica ou até ser uma dor referida da coluna.

Sem identificar essa origem, realizar um procedimento sobre determinado nervo pode não resolver o problema.

A avaliação pode envolver história clínica, exame físico, exames de imagem e, em determinadas situações, bloqueios diagnósticos.

A partir daí, é possível decidir se uma técnica intervencionista realmente acrescenta algo ao tratamento.


Tratar a dor para recuperar movimento

A radiofrequência pulsada ampliou as possibilidades do tratamento intervencionista de alguns quadros de dor crônica.

Mas ela não deve ser apresentada como substituta universal de medicamentos, fisioterapia ou cirurgia.

É uma ferramenta.

Quando existe indicação adequada, pode fazer parte de uma estratégia voltada ao controle da dor e à recuperação funcional.

O objetivo final continua sendo maior do que reduzir um número na escala de dor.

É recuperar mobilidade, função e permitir que o paciente retome, dentro do possível, as atividades que fazem parte da sua vida.


Convive com uma dor persistente e quer entender quais opções existem além do tratamento convencional?

Uma avaliação especializada permite identificar a origem da dor e discutir se procedimentos intervencionistas, como a radiofrequência, têm indicação para o seu caso.

Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica.




 
 
 

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